terça-feira, 20 de abril de 2010

20 de Abril de 2010 - Triagens...

Estava chegando no supermercado na noite de ontem quando recebo uma mensagem no celular de uma amiga solicitando doação de sangue para alguém internado no hospital... Já era tarde e nada podia se fazer a não ser esperar pelo dia seguinte e assim o fiz... Pela manhã recebo a noticia que se trata de um rapaz de 28anos com diagnóstico de Leucemia... Ai o assunto me tocou mais profundamente; por termos a mesma idade, uma doença já enfrentada pela minha sobrinha e por poder fazer algo a alguém que nem conheço...Programação definida, no meu horário de almoço estava na triagem de doação...Já seria a quinta vez que eu doava sangue, dessa vez seria a primeira em que direcionaria a doação. Mas não foi só essa ‘a primeira vez’, foi a primeira vez de uma recusa...não fui aprovada na triagem médica que, de uma maneira bem simples e direta, me disse: ‘você nunca mais poderá doar sangue’... Engoli a seco aquela frase, com um sorriso discreto a médica agradeceu minha iniciativa e eu saí de lá me sentindo a pior pessoa do mundo... Desde que soube do CA essa foi a segunda privação; depois de não mais poder gerenciar a obra em que estava planejando, estava agora privada do prazer de doar sangue, ato que tanto esperei pelos 18 anos para poder fazer...E então se passaram 10 anos, fiz apenas 4 doações neste período, além do cadastro no banco de medula óssea...e disso tudo só me resta lamentar a situação, recorrer a outras possibilidades de ajuda e pensar em quantas coisas somos capazes de fazer e não damos valor...basta olhar para o lado, para o próximo, para fora...basta que não percamos tanto tempo olhando pra nós e nossos egoístas míseros objetivos pessoais...de que vale uma vida vivida em função de si próprio? Quem está nesse mundo apenas pra si simplesmente não faz parte desse mundo...Ai me lembrei de uma cena que presenciei na catedral, na missa de domingo passado...uma mulher de aparentemente 30 e muitos anos, magra e vestida em condições ‘precárias’ com uma criança de meses de nascida no colo, amamentando, na porta da igreja, enquanto em pé assistia a missa...por várias vezes me perguntei por que não entrara, por que não se sentara...talvez ela se sentisse como eu hoje, não aprovada pela ‘triagem’, e fosse mais confortável se excluir do convívio direto com os demais...na saida ao final da missa me omiti de dirigir a ela qualquer sinal de cumprimento caso ela não manifestasse primeiro o interesse...e ela não demonstrou, mas fiquei rustida com a minha vontade de ajudar aquela criança...e quantas vezes nos privamos de ajudar ao próximo por impor condições idiotas do ‘se’...domingo poderia ter oferecido alguma ajuda e não o fiz; hoje quis ajudar e não pude... E nessas contradições da vida poderíamos ser mais solidários, independentemente ao fato de que a vida nos impõe triagens...


Doem sangue, doem medula, doem-se; pratiquem vida...

Local : Hemovida
Nome: Ademir Francisco da Silva Jr
Tipo: Qualquer um
Internação: Hospital Promater

quinta-feira, 15 de abril de 2010

15 de Abril de 2010 - Intimidade...

Quem nunca se deu ao direito de pecar por excessos? Pois, se existe alguém que resisti ao ‘pecar por excesso’ esse post de hoje não foi escrito pra você. Por sermos humanos estamos desde a origem expostos ao pecado, aos sete pecados, e não só a eles, mas a outros, é claro...E seja qual for ele, o exagero deve ser sempre ponderado – entenda-se ponderar por analisar as conseqüências e não evitar o excesso...pelo sim ou pelo não, a cautela de se saber o que esta se fazendo é sempre bem vinda e a opção ‘pelos excessos’ - e suas conseqüências - pra mim ainda é uma ótima opção...
Hoje quero falar de um assunto que muito tem haver com o cuidado ao excesso; a tal da Intimidade. Somos reféns das circunstâncias que a Intimidade nos trás em nossos relacionamentos...e nesse momento entenda relacionamento em qualquer âmbito...são vários os indesejáveis aspectos que a ‘dita cuja’ impõe. Quem nunca abriu a boca pra falar uma daquelas verdades que jamais deveriam ser ditas, só porque se sentia no direito da Intimidade? Quem nunca perdeu a privacidade de algo tão natural quanto pessoal pela Intimidade da porta aberta? Quem nunca lamentou o desgaste de um envolvimento pelo conforto-comodismo da Intimidade? Não, de forma nenhuma estou sacrificando e deteriorando a importância dela em nossas vidas, apenas ressalto que ela, deve sim, ser ponderada e libertada de qualquer possibilidade de excesso...na verdade se utilizarmos como exemplos os relacionamentos ‘sem intimidade’ podemos perceber como são mais cuidadosos, charmosos e envolventes...parece estarmos por detrás de um escudo imaginário elaborado com tudo aquilo que queremos mostrar, perto de tudo o que querem enxergar em nós e bem longe daquilo que precisamos esconder...então as coisas vão acontecendo, os relacionamentos vão amadurecendo e o escudo vai ficando pesado demais pra se carregar...a medida que o tempo passa não existe mais o imaginário, o mostruário de antes, e agora resta apenas a Intimidade demarcando a realidade crua e sua essência natural das coisas...por mim a balança só estará equilibrada se formos capazes de dosar o grau de intimidade, cada qual dentro de uma realidade especifica de relacionamento...e numa vida dinâmica RELACIONAMENTOS e relacionamentos são fundamentais...
E por falar em intimidade sem excessos, porque não lembrar de amizades eternas, cultivadas em circunstâncias variadas...No dia de hoje porque não citar Ela que há 16 anos me acompanha numa amizade intima e verdadeira, em todos acontecimentos da minha vida...Hoje minha intima-amizade-sem-excessos faz aniversário e esse tema foi sugestão dela, e há meses estava guardado a espera da postagem...Hoje na intimidade de nosso indestrutível elo, a ti amiga, desejo a pura Felicidade com excessos, mas cuidado com o excessos de Intimidade...

terça-feira, 13 de abril de 2010

13 de Abril de 2010 - Um grande beijo...

O café sem açúcar já esta há minutos esquecidos ao lado do meu note book, enquanto concentrada trabalho, escutando ‘aqui’ de Ana Carolina...em meio a musica dispara mais um alerta de msg na minha caixa de e-mails...são umas 50 mensagens por dia, e a todo instante o alerta insiste em interromper a música e com ela a minha concentração... paro o que estou fazendo, bebo um gole do café já gelado pelo ar condicionado, e atualizo minha lista de solicitações do dia...mas a mensagem recebida era um newsletter desses sites que nos cadastramos uma vez na vida e isso basta para que passemos o resto da vida recebendo msgs automáticas, impessoais...apesar de impessoal, a mensagem me alertava que hoje é o dia mundial do beijo...tem dia pra tudo nessa vida; porque não teria então o dia do beijo, rs... estamos sempre enviando ‘bj, bjs, bjokas, bjnho, um grande beijo’...muitas vezes talvez no automático, outras vezes nem tanto...mas o que importa é que o tal do beijo é muito bom seja qual for a circunstância e ainda mais se for este desejado, esperado, verdadeiro...

“Um beijo (do latim basium) é o toque dos lábios com qualquer coisa, normalmente uma pessoa. Na cultura ocidental é considerado um gesto de afeição. Entre amigos, é utilizado como cumprimento ou despedida. O beijo nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo. Os mais antigos relatos sobre o beijo remontam a 2.500 a.C...”

Pois então há milhares de anos eis que ele exercita dezenas de músculos, liberta endorfinas, combate a depressão, diminui o stress, queima calorias... tudo isto desde que resulte, claro, de um beijo apaixonado...e a paixão... a paixão sempre tão imprescindível a uma vida intensa...o que seria da paixão sem a existência de um beijo? Seria vazia, incompleta... pois que venham as paixões, que estas se encontre em beijos e que os beijos sejam sempre desejado, esperado, verdadeiro... para minha paixão, no dia de hoje e sempre; um grande beijo...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

01 de Abril de 2010 - Renascimento...

Fazia tanto tempo que não postava...não por falta de vontade, não por falta de assunto, muito menos por falta de tempo...tempo, acho que foi isso...apenas dei um tempo...Hoje, quinta feira de uma semana santa, fui trabalhar e resolvi acessar um site de informação, lá esta um link com um titulo curioso...abro, leio e resolvo postar essa história...como disse Chico Xavier; não podemos refazer o começo mas temos sempre a oportunidade de fazer um novo final...Otima Páscoa a todos e um renascimento constante...

"A pernambucana Maysa de Barreto, de 26 anos, tem câncer terminal e faz tratamento intenso de quimioterapia contra uma doença rara, leucemia mieloide crônica. Maysa depende de um transplante medular para sobreviver. Ao ler o depoimento de Ana Carolina de Oliveira, a mãe de Isabella, concedido para mim na revista ÉPOCA, Maysa resolveu me pedir que enviasse uma carta à mãe de Isabella. Ela conta ao blog que em março de 2008 estava enfrentando uma grande depressão até conhecer o caso Isabella. Ela diz que se inspirou em Ana Carolina para lutar pela vida. Estive com Ana Carolina de Oliveira algumas vezes e realmente pude constatar essa força interna.
“Ela não tinha mais sua filha e tem a vida toda pela frente, eu tenho minha filha e não tenho a vida pela frente. Poderia ter sido diferente? Isso é injusto? Não, porque Deus tem um propósito na vida de cada um e nós temos que nos conformar mesmo que pareça errado. Em uma de suas últimas entrevistas, Ana Carolina disse que era um fim de um ciclo. Eu peço a Deus que ela realmente se dê essa oportunidade de começar uma nova vida. Isabella não vai ser jamais esquecida pelos brasileiros e muito menos por ela, como minha Isabella jamais será esquecida por mim onde eu estiver”, diz.
Maysa afirma que seu grande amor, o marido Marcelo, deixou de fazer tudo para cuidar dela. “Minha filha não poderia ter tido melhor pai do que ele, um homem trabalhador, amoroso, dedicado, forte e paciente. Não é fácil segurar a barra do que ele ainda segura hoje”.
A história dessa pernambucana mãe de Isabella é comovente e inspiradora para aqueles que acreditam no prazer de viver. “Até onde eu vou? Não sei. As minhas expectativas hoje são: O que comer no jantar? Do que brincar com minha filha? Que música escutar? Ver fotos de mergulhos que tenho com meu marido. Planos? Nenhum! Eu tento ter minha cabeça hoje como eu tinha há três ou quatro anos, só que com algumas limitações. Terminal, hoje, só a mamadeira de minha filha, as conversas com minha mãe e minha irmã, o ronco do meu marido e meu dia.
Aproveitem a vida e muito!
Fé em Deus sempre!”
Publico aqui a carta na íntegra de Maysa Barreto para Ana Carolina de Oliveira
Olá, Ana Carolina, meu nome é Maysa Barreto, resido atualmente em Recife-PE. A intenção do email é que ele seja encaminhado para a jornalista Kátia Mello. Creio que ela foi responsável pelo depoimento que Ana Carolina Oliveira, mãe da menina Isabella, concedeu recentemente à revista ÉPOCA.
Queria pedir que ela encaminhasse um e-mail meu à mãe da menina, esperei algum tempo para mandar, mas agora sinto que é a hora, com tantos acontecimentos em torno dela. Independentemente se receberei retorno deste e-mail, gostaria de adiantar o assunto.
Tenho 26 anos, acabei de ser mãe.
Sou “matuta” do interior de Pernambuco e como “matuta” sempre tive curiosidade em tudo que fosse para sair do meu mundo. Aos 15 anos, saí de casa para estudar fora da cidade. Desde então, não parei mais. Morei em três cidades diferentes até chegar em Olinda, apoiada pela minha família. Sem minha família eu não seria nada hoje e Deus é tão bom que fez com que todos meus familiares me apoiassem em tudo sem saber do meu futuro.
Aos 18 anos, fiz uma viagem a Porto de Galinhas e lá comecei a praticar “minha liberdade”, o mergulho; não parei mais, viajei para fora do país e assim fui fazendo tudo que gostava. Quando completei 23 anos, estava em Buenos Aires, comemorando com meus amigos e tive um dos maiores sustos da minha. Passei mal e fui encaminhada para o hospital. Lá descobriram que eu tinha um tipo de leucemia rara, mieloide crônica. Eu, que gostava de fazer tudo nessa vida, estava namorando com o amor da minha vida, aproveitava cada minuto como se fosse o último, não tinha medo de nada e nem de ninguém.
Depois que descobri, vim para o Brasil urgente, fui internada às pressas e partir dali, travei uma batalha. Não baixei a cabeça e não pensava em morrer. Eu tinha duas opções: Lutar ou desistir. Meu feitio sempre foi o primeiro.
O tratamento é como os outros, mas como o meu tipo era raro entre jovens, eles meio que pegam pesado rs. Fiz muita químio, mas o que eu esperava mesmo era o transplante de medula. Tenho três irmãos e nenhum foi compatível comigo, nem papai e nem mamãe. Simplesmente NÃO ACHAVAM. Eu pensava que ninguém batia a medulinha com a minha e comecei a ficar preocupada porque eu sentia que faltava realizar uma coisa, só uma. UM FILHO.
Eu não queria um filho porque eu pensava que ia morrer. Eu queria porque sempre fui apaixonada por criança e isso era um desejo meu antigo. Passada essa tempestade, veio a boa notícia: TEM MEDULA FRESQUINHA NA ÁREA! Eu? adoooooooro, né?! rs
Eu fiz! Fiquei radiante demais, só felicidade! Poderia voltar à minha vida em pouco tempo, claro que moderadamente. Isso serviu para que minha família, meus amigos e meu amor se aproximassem mais ainda. PERFEITO. Tudo beleza de novo. Do dia em que descobri a doença para o transplante foram quase dois anos. Prometi a mim mesma que, a partir dali, seria diferente. Logo eu e meu amado resolvemos juntar os trapinhos e morar juntos. Só amor, felicidade, saúde e… bebê. Isso mesmo, engravidei. Esse dia foi assustador e ao mesmo tempo feliz demais! O que mais tive medo foi de a doença voltar, porque agora não era só eu. Era meu filho. Eu temia e ela voltou.
No meu terceiro mês de gestação descobri que ia ser mãe de uma menina. E no quarto eu, minha médica e meus familiares tomamos uma decisão difícil, a de suspender o tratamento, que ia fazer mal para minha princesa. Ela já era minha princesa, eu estava disposta a dar minha vida para ela. Minha médica explicou que assim que eu tivesse minha filha, entraria num tratamento intensivo, a doença avançava, logo era crônica. Eu não poderia nem amamentar, pois as drogas são fortes. Comecei o tratamento de leve, se assim posso me referir…
Desviando um pouco a história, tenho que ressaltar a minha ligação íntima com Deus, antes mesmo da doença, muito antes, claro que depois isso se intensificou…
Eu, como todos os brasileiros, acompanhamos o caso da menina Isabella, pedi muito ao Pai por ela, ao mestre Chico Xavier, aos espíritos de luz, que levassem ela com muita paz e explicassem para ela o estava acontecendo, que ela agora estava segura.
Bom, Isabella está com 3 meses. Isabella é minha filha. Uma menina forte e linda. Ela vai ser forte demais, como eu. Ela vai lutar até onde der, como eu estou fazendo agora. No momento me encontro internada em Recife. Olha, sou uma pessoa realista, sempre fui e não estou com a bola cheia não, não estou numa das minhas melhores chances. Quem estiver lendo, não pense que fico deprimida, porque NÃO. Eu tenho consciência que minha Isabella vai crescer sem a mãe, mas eu quero que ela faça tudo que tem direito como eu fiz. Eu amei, aproveitei, chorei… eu vivi muito bem esses meus anos. Eu tenho fé demais em Deus, sei que para onde eu for vai ser bom.
Espero que pelo menos tenha um mar para eu dar uns mergulhos bacanas e que de lá eu possa ver minha filhota, até a hora em que eu estiver pronta para voltar. Nas minhas orações, tenho pedido para encontrar a outra Isabella quando chegar lá. Ela me passa paz. Eu quero vê-la e abraçar como se tivesse abraçando a minha Isabella e dizer que ela mudou o jeito das pessoas… O nome da minha filha foi uma homenagem para ela. Eu sinto amor por ela.
Que a mãe de Isabella nunca desista de nada, porque Deus é justo e correto. Nunca duvidemos Dele em nada.
Amanhã vou para casa, meus cuidados agora serão lá junto de todos que eu amo.
Eu não desisti, não parei de lutar, mas às vezes chega um ponto em sua vida que você tem que entender que fez sua parte. Eu realizei meu maior sonho.
Eu tenho 26 anos, acabei de ser mãe e tenho câncer em estado terminal."


http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2010/03/31/a-comovente-historia-da-mae-de-uma-outra-isabella/