Acordar sentindo o acalento da
companhia da filha que se enrosca buscando, no aconchego da cama dos pais, um
casulo para se sentir protegida na alvorada... Despertar para um dia que a vida
propõe lá fora, um dia novinho em folha, perto da realidade, longe dos sonhos...
Levantar sonhando acordada para um despertar emocional superior ao despertar físico...
As marcas ainda estão no meu
corpo; manchas no braço sacrificado por dias sucessivos através de acessos ininterruptos
as veias que me mantinham medicada, cicatrizes no meu ventre de uma despedida
abrupta... Marcas que são reflexos do meu interior que agoniza a todo
instante e traz memorias de um passado recente, traz fatos de um presente
marcante, traz desejos de um futuro cobiçado...
A agua cai lentamente no corpo
enquanto a musica toca... O banho lava a alma e o pensamento voa longe... E
retorna com o desafio de por em ordem as ideias, organizar a desordem e guiar
no caminho... O caminho, seja ele qual for, se inicia por um passo e num
instante de um suspiro aquilo que era apenas dor converte em paz, na paz de um
sorriso de bom dia...
Superar as frustrações, transpor obstáculos,
evoluir nos anseios... A vida fica leve a medida que esperamos menos dela... Mas
a expectativa é filha da incansável persistência e de nada serviria essa minha vida
sem que eu persistisse em meus sonhos...
Pautada na determinação de viver
em busca da felicidade, persisto naquilo que habita meu coração e permeiam os
sonhos e isso catalisa minhas ações em busca de me manter no caminho em meio as
adversidades...
O sorriso da manha, o bom dia do próximo,
a gentileza do colega, o sabor do alimento, a velocidade do tempo, a leveza da
brisa, o agito da rotina, a exaustão na labuta, o voltar para casa depois de um
dia repleto de motivos para agradecer a dadiva de estar viva e de sentir o
coração pulsar pelas alegrias e pelas tristezas que compõe os dois lados de uma
mesma moeda...
17/07/2014, passados 90 dias,
como não reviver nas lembranças a emoção da espera da realização de um desejo
intenso... a cada novo dia se tinha renovado o mesmo desafio de se chegar, ao menos, ao 7º mês para
garantir alguma possibilidade de transformar a gestação de risco em uma cesárea
segura... anseio demais, chances de menos... a vida encurtou o prazo e me
provou mais uma vez que o tempo é o senhor do destino, se encarrega de fazer o momento,
curar a dor e seguir adiante... Diante do que a vida reserva para nos a cada novo
amanhecer...