Uma das grandes coisas que
consegui colocar em pratica dos ensinamentos de meu pai foi; “nunca tome uma
decisão emocionalmente fragilizada”... Claro que existem momentos em que essa
orientação vai para a estratosfera e a decisão é tomada com o sangue fervendo
nas veias, mas de praxe muitas das decisões são, de fato, tomadas na
serenidade, na racionalidade com o sentimento sob controle...
O dia de ontem foi desprovido de
qualquer possibilidade de decidir a contento... dia de grandes emoções, dia de
atrair e transmitir sorrisos, abraços, afagos, desejos... e tantas foram as
mensagens em letras, em voz, em presença... a mais linda transmitida no silencio
de um sorriso radiante; no despertar do dia e na despedida da noite... e quando
a poeira baixou, a casa esvaziou e o silencio reinou, veio a tona a vontade involuntária
de refletir, de agradecer, de extravasar a plena felicidade de estar entre
pessoas amadas durante todo o dia, celebrando a vida... nesses momentos é inevitável
não relembrar de tudo o que passou todos esses anos, reviver momentos inesquecíveis,
orgulhar-se das conquistas, refletir os objetivos, restabelecer metas novas,
enxergar quem esta em volta, valorizar o que realmente importa, pensar na ausência
de quem não mais se faz presente sentindo-a dentro do coração que pulsa vida e
transborda desejos... agradecer, agradecer, agradecer... então me vem a vontade de escrever e nas
grafias das letra prolongar os últimos minutos que restam do dia... no escuro
do meu quarto rascunho as primeiras palavras e em meio a escrita leio uma frase
de Graciliano Ramos que diz; “Comovo-me em excesso, por natureza e por oficio.
Acho medonho alguém viver sem paixões”... ahhh e o que seria da vida sem as paixões???
posso dizer que eu já tive fortíssimas paixões. Efêmeras, improváveis,
duradouras, inesperadas e sempre intensas. De pouquíssimas delas atingi a
maturidade para o amor. Apenas uma única dessas foi capaz de, simultaneamente,
abrigar os dois estágios; e quando me dei conta encontrei a resposta para
minhas perguntas em longas noites em claro... sensação plena de satisfação,
leveza, paz e segurança por entender que se pode sim apaixonadamente amar alguém
que admiramos, que nos motiva, que escuta aquilo que não se diz e preenche as
nossas paginas em branco na cumplicidade de quem se encontra como o capitulo do
livro em construção... porque o que eu mais quero é “que eu te olhe e você me
entenda, que eu me expresse e você compreenda, que nossos sorrisos falem e
nossas vozes e preces sejam ouvidas. Que eu tenha fé, que você tenha fé, que a
gente acredite que nos dias, sendo fáceis ou difíceis, eu estou contigo e você comigo,
e que a gente saiba que juntos somos dois, logo, mais que um...”
E que quando os fatos acontecerem,
não subestimemos o que certos momentos podem acarretar, imaginemos onde podemos
chegar e ao sermos surpreendidos com as armadilhas da vida percebamos que não
estamos no controle, que devemos enxergar além da realidade, controlar as
emoções, racionalizar a decisão e acreditar que tudo estará em ordem, em curso,
a caminho da realização... no dia seguinte, quando a ficha cair...