quinta-feira, 28 de agosto de 2014

No dia seguinte, quando a ficha cair...




Uma das grandes coisas que consegui colocar em pratica dos ensinamentos de meu pai foi; “nunca tome uma decisão emocionalmente fragilizada”... Claro que existem momentos em que essa orientação vai para a estratosfera e a decisão é tomada com o sangue fervendo nas veias, mas de praxe muitas das decisões são, de fato, tomadas na serenidade, na racionalidade com o sentimento sob controle...
O dia de ontem foi desprovido de qualquer possibilidade de decidir a contento... dia de grandes emoções, dia de atrair e transmitir sorrisos, abraços, afagos, desejos... e tantas foram as mensagens em letras, em voz, em presença... a mais linda transmitida no silencio de um sorriso radiante; no despertar do dia e na despedida da noite... e quando a poeira baixou, a casa esvaziou e o silencio reinou, veio a tona a vontade involuntária de refletir, de agradecer, de extravasar a plena felicidade de estar entre pessoas amadas durante todo o dia, celebrando a vida... nesses momentos é inevitável não relembrar de tudo o que passou todos esses anos, reviver momentos inesquecíveis, orgulhar-se das conquistas, refletir os objetivos, restabelecer metas novas, enxergar quem esta em volta, valorizar o que realmente importa, pensar na ausência de quem não mais se faz presente sentindo-a dentro do coração que pulsa vida e transborda desejos... agradecer, agradecer, agradecer...  então me vem a vontade de escrever e nas grafias das letra prolongar os últimos minutos que restam do dia... no escuro do meu quarto rascunho as primeiras palavras e em meio a escrita leio uma frase de Graciliano Ramos que diz; “Comovo-me em excesso, por natureza e por oficio. Acho medonho alguém viver sem paixões”... ahhh e o que seria da vida sem as paixões??? posso dizer que eu já tive fortíssimas paixões. Efêmeras, improváveis, duradouras, inesperadas e sempre intensas. De pouquíssimas delas atingi a maturidade para o amor. Apenas uma única dessas foi capaz de, simultaneamente, abrigar os dois estágios; e quando me dei conta encontrei a resposta para minhas perguntas em longas noites em claro... sensação plena de satisfação, leveza, paz e segurança por entender que se pode sim apaixonadamente amar alguém que admiramos, que nos motiva, que escuta aquilo que não se diz e preenche as nossas paginas em branco na cumplicidade de quem se encontra como o capitulo do livro em construção... porque o que eu mais quero é “que eu te olhe e você me entenda, que eu me expresse e você compreenda, que nossos sorrisos falem e nossas vozes e preces sejam ouvidas. Que eu tenha fé, que você tenha fé, que a gente acredite que nos dias, sendo fáceis ou difíceis, eu estou contigo e você comigo, e que a gente saiba que juntos somos dois, logo, mais que um...”
E que quando os fatos acontecerem, não subestimemos o que certos momentos podem acarretar, imaginemos onde podemos chegar e ao sermos surpreendidos com as armadilhas da vida percebamos que não estamos no controle, que devemos enxergar além da realidade, controlar as emoções, racionalizar a decisão e acreditar que tudo estará em ordem, em curso, a caminho da realização... no dia seguinte, quando a ficha cair...

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