sábado, 13 de julho de 2013

"Pq depois de toda noite de chuva, virá um lindo dia de sol..."

Ja havia se passado 40min do final do expediente e eu ainda estava saindo do escritorio... atônita com a noticia da tarde eu dirigia até minha casa com a mente longe da direção do carro... chegando no meu quarto encontro duas crianças assitindo televisão, prontas para passear... ao me ver gritam ansiosas; vamos ao circo!!! Não tinha a menor intenção de frustar aquela expectativa criada, não tinha a menor vontade de atender aquele pedido... mas a vida não pára e o espetáculo tem que continuar... a caminho do picadeiro subestimo as crianças e pergunto; "vocês lembram quem é o vô Carlos?" E  para minha supresas inicia-se uma longa conversa...

- Lembro sim, ele morreu hj
- Não! Jesus chamou ele para morar lá no céu pq ele é um homem bom... ele está lá no céu agora...
- É ele era bem velinho, de cabelos brancos... ele foi o primeiro, depois foi meu avó, depois meu pai, depois eu...
- Ahhh, cadê meu vovô...tô com saudades dele, quando ele volta? Nem lembro mais do rosto dele... não consigo lembrar dele...
- Eu lembro; ele tem a pele da mesma cor que a minha, cabelo preto, olhos iguais ao meu e um jeito estranho... pq ele sempre viaja e volta... Mas o vô Carlos não volta mais...

A noite continua em chuva... o palhaço arranca sorrisos... os artistas impressionam os olhos atentos que não se atrevem piscar... e entre atrações, me viam lembranças...entre gargalhadas, segurava o choro contido...era parte de mim ali, parte de mim bem longe... pq pra mim ele foi muito mais que um homem bom... ele foi o dono daquele jipe verde que levava todos os netos a praia de Plakafor, ele era o capitão daquele barco branco e azul, ele era o dono da oficina mais irada que qualquer criança sonhara em um dia brincar, ele colhia mangas espadas tão doces quanto sua companhia em fim de tarde, ele era o pescador que trazia os maiores e mais gostosos peixes que a Bahia pudesse oferecer, ele era companhia perfeita para a Bohemia gelada, ele era a disposição montando as varas e ajustando os molinetes na praia em plena alvorada... ele era aquele sorriso discreto nas piadas dos primos mais velhos, ele era o mau humor nos atrasos dos almoços de domingo, ele era o apetite máximo nas entradinhas de acarajes e abaras, ele era a pose e o estilo ao sentar no Califas para comer um kibe enquanto observava quem passava pelos corredores do Shopping Barra, ele era o cafune no sofá assistindo tv, ele era o Sr Costa da Mansão Porto da Barra... e como a despedida é inevitável, a vida dá espaço; pq depois de toda noite de chuva, virá um lindo dia de sol... 

 

domingo, 7 de julho de 2013

"Eu sou uma pessoa de muita sorte."

Com essas já somam três férias escolares de filha no meu curriculum de mãe... Na primeira delas lembro que levei um susto ao me deparar com a realidade de que, no período de 20dias, Natalia não teria atividades escolares para ocupar boa parte do dia... Acostumada desde os seus três meses de idade ao calendário ininterrupto da creche-berçário; o qual mantinha uma rotina de atividades de lazer, pedagógicas, lúdicas e sociais para o consolo de pais que não tinham escolha, a não ser o trabalho diário... E nesse confronto de realidade (trabalho x férias escolares) as articulações com curtas viagens, passeios com a vovó, programas com os amiguinhos vão sendo costurados como uma colcha de retalhos para que ao final do período os dias vividos se transformem em doces e coloridas lembranças... Mas Natalia não é mais a menininha de 3 anos das primeiras férias, apesar de somente ter se passado um ano desde então, ela aparenta anseios muito mais complexos de serem sanados... Não basta ter o programa agendado para a tarde, tem que ter a companhia preferida, tem que ter a roupa escolhida, tem que acontecer tudo do “jeito dela” caso contrário aquela carinha de frustração paira no ar e lá se vai um dia a menos sem as tão desejadas “lembranças de férias”... Com esse rigor de exigência tratei de planejar as férias como quem faz um plano de projeto analisando o escopo, o tempo, os riscos, os envolvidos, os critérios de sucesso para garantir a qualidade... Cogitei contratar uma colônia de férias e garantir a rotina semelhante ao período de aulas até que eu pensei; porque se aproximar a rotina de escola se o gostoso das férias é não ter rotina? Bem, a vinda do primo já estava garantida e o que me restava era dispor de energia para acompanha-los... Onde? Na lista de atividades possíveis que consegui elencar e por onde comecei a acreditar que 20dias de férias seriam muito pouco... E sem agenda definida o dia amanhece e eu pergunto; o que querem fazer? Da lista é retirada a escolha e são combinados os detalhes para que tudo atenda as expectativas deles; "dia de praia com a Dinda"... E essa expectativa é traduzida em sorrisos, agitação, euforia e relatos como esse:
" hoje foi bem legal o dia, dia da família com m primo. Eu sou uma pessoa de muita sorte... de passar as férias com m primo. Sou de muita sorte de passar as férias com Rutinha e quando Rutinha vai embora eu passo as férias com meus pais. Eu sou uma pessoa de muita sorte. "
São conclusões como essas que nos fazem acreditar que a simplicidade esta na surpresa do gesto não no desejo do objeto... Ganhar um brinquedo é muito bom, ter com quem brincar é melhor ainda... Ferias é maravilhoso, dias na companhia de pessoas amadas é melhor que qualquer outra coisa... E ao final, assim percebemos que, se soubermos olhar para as coisas simples da vida, todos podemos ser "pessoas de muita sorte"...

quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Esse é apenas o começo..."


Quando cheguei à sala de aula daquela noite de quinta feira 12 de fevereiro de 2011, mesmo depois de um dia exausto de trabalho, a expectativa era de que todo o meu melhor fosse dispensado na jornada pretendida de dois anos de especialização que ali iniciava... Turma cheia de pessoas das mais variadas aparências, idades, origens e certamente com interesses dos mais diversos também... Como de praxe em todo inicio de MBA, a aula inaugural contava com a presença do coordenador, o então Prof Carlos Salles (in memoriam), que em sua fala mencionou uma frase de muito efeito: “Esse é apenas o começo”... Naquele instante eu percebia em mim a motivação para mais um desafio... E lá se foram dois anos de aulas e estudos; conteúdo acadêmico e prática profissional; networking e benchmarking... Segundo Project Management Institute (PMI), o gerenciamento profissional de projetos é responsável por aplicar conhecimentos e habilidades, ferramentas e técnicas para atender o objetivo de um projeto (evento único e temporal), balanceando as nove áreas de conhecimento para satisfazer as necessidades (requisitos identificados) e expectativas (requisitos não identificados) dos envolvidos (stakeholders); então a primeira vez que ouvi isso pensei: o gerente de projeto é o "carinha” de sucesso nas organizações... Mas eu estava ali disposta a algo mais que um mero certificado que validasse meu conhecimento acadêmico e meu interesse profissional em gerir projetos; eu era anseios por projetos de vida em uma vida de projetos...  Logo de cara nos primeiros módulos a Profª Maria Lucia Rodrigues Corrêa, através das disciplinas de Comunicação Interpessoal e Liderança, me introduziu conceitos muito além da Gerência de Projetos; abriu meus olhos para a capacidade de uma formação pessoal superior a formação acadêmica pretendida pela especialização...
Se retomarmos o conceito de projeto como evento único e temporal poderemos entender de fato essa capacidade... Único: nada será igual... Temporal: nada será como antes... Então projetos estão em todo lugar, em todo momento de nossas vidas, convidando para a inovação, estimulando para a concretização, bastando se permitir... aquela festa de aniversário, aquela viagem dos sonhos, correr a meia maratona, a gravidez planejada, o casamento sonhado, aquele apartamento novo, a formação acadêmica tão desejada, a conquista do campeonato na escola, o pedalar de bicicleta sem rodinhas, o aprender a andar... entre o meu primeiro passo e os dias de hoje projetos se concretizaram e experiências de vida se acumularam de forma única e temporal... porque sonhos habitam nossos corações e apenas encontramos nossa felicidade em plenitude a medida que, a partir desses sonhos, projetamos nosso futuro na realidade desejada... porque tudo tem seu tempo para acontecer e hoje ao receber o diploma a sensação foi de que esse é apenas mais um começo...