domingo, 7 de julho de 2013

"Eu sou uma pessoa de muita sorte."

Com essas já somam três férias escolares de filha no meu curriculum de mãe... Na primeira delas lembro que levei um susto ao me deparar com a realidade de que, no período de 20dias, Natalia não teria atividades escolares para ocupar boa parte do dia... Acostumada desde os seus três meses de idade ao calendário ininterrupto da creche-berçário; o qual mantinha uma rotina de atividades de lazer, pedagógicas, lúdicas e sociais para o consolo de pais que não tinham escolha, a não ser o trabalho diário... E nesse confronto de realidade (trabalho x férias escolares) as articulações com curtas viagens, passeios com a vovó, programas com os amiguinhos vão sendo costurados como uma colcha de retalhos para que ao final do período os dias vividos se transformem em doces e coloridas lembranças... Mas Natalia não é mais a menininha de 3 anos das primeiras férias, apesar de somente ter se passado um ano desde então, ela aparenta anseios muito mais complexos de serem sanados... Não basta ter o programa agendado para a tarde, tem que ter a companhia preferida, tem que ter a roupa escolhida, tem que acontecer tudo do “jeito dela” caso contrário aquela carinha de frustração paira no ar e lá se vai um dia a menos sem as tão desejadas “lembranças de férias”... Com esse rigor de exigência tratei de planejar as férias como quem faz um plano de projeto analisando o escopo, o tempo, os riscos, os envolvidos, os critérios de sucesso para garantir a qualidade... Cogitei contratar uma colônia de férias e garantir a rotina semelhante ao período de aulas até que eu pensei; porque se aproximar a rotina de escola se o gostoso das férias é não ter rotina? Bem, a vinda do primo já estava garantida e o que me restava era dispor de energia para acompanha-los... Onde? Na lista de atividades possíveis que consegui elencar e por onde comecei a acreditar que 20dias de férias seriam muito pouco... E sem agenda definida o dia amanhece e eu pergunto; o que querem fazer? Da lista é retirada a escolha e são combinados os detalhes para que tudo atenda as expectativas deles; "dia de praia com a Dinda"... E essa expectativa é traduzida em sorrisos, agitação, euforia e relatos como esse:
" hoje foi bem legal o dia, dia da família com m primo. Eu sou uma pessoa de muita sorte... de passar as férias com m primo. Sou de muita sorte de passar as férias com Rutinha e quando Rutinha vai embora eu passo as férias com meus pais. Eu sou uma pessoa de muita sorte. "
São conclusões como essas que nos fazem acreditar que a simplicidade esta na surpresa do gesto não no desejo do objeto... Ganhar um brinquedo é muito bom, ter com quem brincar é melhor ainda... Ferias é maravilhoso, dias na companhia de pessoas amadas é melhor que qualquer outra coisa... E ao final, assim percebemos que, se soubermos olhar para as coisas simples da vida, todos podemos ser "pessoas de muita sorte"...

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