Com essas já somam três férias escolares de filha no meu curriculum de
mãe... Na primeira delas lembro que levei um susto ao me deparar com a
realidade de que, no período de 20dias, Natalia não teria atividades escolares
para ocupar boa parte do dia... Acostumada desde os seus três meses de idade ao
calendário ininterrupto da creche-berçário; o qual mantinha uma rotina de
atividades de lazer, pedagógicas, lúdicas e sociais para o consolo de pais que
não tinham escolha, a não ser o trabalho diário... E nesse confronto de
realidade (trabalho x férias escolares) as articulações com curtas viagens,
passeios com a vovó, programas com os amiguinhos vão sendo costurados como uma
colcha de retalhos para que ao final do período os dias vividos se transformem
em doces e coloridas lembranças... Mas Natalia não é mais a menininha de 3 anos
das primeiras férias, apesar de somente ter se passado um ano desde então, ela
aparenta anseios muito mais complexos de serem sanados... Não basta ter o
programa agendado para a tarde, tem que ter a companhia preferida, tem que ter
a roupa escolhida, tem que acontecer tudo do “jeito dela” caso contrário aquela
carinha de frustração paira no ar e lá se vai um dia a menos sem as tão
desejadas “lembranças de férias”... Com esse rigor de exigência tratei de
planejar as férias como quem faz um plano de projeto analisando o escopo, o
tempo, os riscos, os envolvidos, os critérios de sucesso para garantir a qualidade...
Cogitei contratar uma colônia de férias e garantir a rotina semelhante ao
período de aulas até que eu pensei; porque se aproximar a rotina de escola se o
gostoso das férias é não ter rotina? Bem, a vinda do primo já estava garantida
e o que me restava era dispor de energia para acompanha-los... Onde? Na lista
de atividades possíveis que consegui elencar e por onde comecei a acreditar que
20dias de férias seriam muito pouco... E sem agenda definida o dia amanhece e
eu pergunto; o que querem fazer? Da lista é retirada a escolha e são combinados
os detalhes para que tudo atenda as expectativas deles; "dia de praia com
a Dinda"... E essa expectativa é traduzida em sorrisos, agitação, euforia
e relatos como esse:
" hoje foi bem legal o dia, dia da família com m primo. Eu sou uma
pessoa de muita sorte... de passar as férias com m primo. Sou de muita sorte de
passar as férias com Rutinha e quando Rutinha vai embora eu passo as férias com
meus pais. Eu sou uma pessoa de muita sorte. "
São conclusões como essas que nos fazem acreditar que a simplicidade esta na
surpresa do gesto não no desejo do objeto... Ganhar um brinquedo é muito bom,
ter com quem brincar é melhor ainda... Ferias é maravilhoso, dias na companhia
de pessoas amadas é melhor que qualquer outra coisa... E ao final, assim
percebemos que, se soubermos olhar para as coisas simples da vida, todos
podemos ser "pessoas de muita sorte"...
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