Tinha apenas 3 anos de idade; morávamos eu, meus pais e irmãos na cidade peruana de Arequipa. Lembro-me que lá, tão comum quanto bananas no Brasil, eram grandes e suculentos pêssegos...e eu adorava...pegava uma fruta e passava minutos alisando minhas bochechas com a casca aveludada do pêssego até que ele esquentasse como a temperatura da minha pele...era um ritual comer pêssego...Hoje pela manhã enquanto lia meu livro minha mãe me ofereceu um pêssego e sem hesitar me percebi fazendo a mesma coisa 25 anos depois...me senti aquela menina tendo o mesmo prazer de sempre...
Muitas vezes nos deparamos com situações em que somos nós mesmos na essência...a medida que crescemos somos alimentados de diversas formas e vamos a cada experiência vivida formando nossa personalidade, constituindo nossos valores, selecionando nossa existência...podem ser desde simples manias temporais a grandes traços de personalidades eternos; somos o que somos pelo acumulo de coisas que guardamos dentro de nós ao longo da vida...mas o espaço é limitado...em certos momentos somos obrigados a fazer uma faxina e descartar aquilo que aparentemente foi guardado indevidamente, ficam então apenas aquilo que é essencial... mas claro que a medida que o tempo passa ficamos mais seletivos, não temos tantos espaços assim disponíveis e a escolha tem que ser mais responsável, bem mais criteriosa...aquela menina de 3 anos nunca imaginaria o que estaria por vir nesses 25 anos que se passara...mas a mulher de 28 anos nunca se esquecera da menina de 3 anos comendo pêssego...
Dia tranqüilo de sábado...com a família por perto, sem ansiedades...se não fosse pelas recomendações e limitações impostas teria até esquecido da cirurgia...o programa de hoje era almoçarmos feijoada no Murimarelo com minha cunhada e sua família que veio de São Carlos passar o fim de semana conosco em Sampa...a idéia de comer feijoada no sábado foi minha, mas confesso que na hora “h” eu não tive coragem e caí de cara na salada com massa; era menos “perigoso” do que um feijão cozido com carne de porco...então como de costume para pagar o preço da liberdade condicional concedida em forma de “um programa por dia”, ou como mesmo rege a regra; "uma coisa de cada vez", me resguardei pela manhã e final de tarde após o almoço, ficando deitada maior parte do tempo lendo e escrevendo... dia bom, pacato, entre pêssegos e com a família por perto...
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