terça-feira, 3 de agosto de 2010

03 de Agosto de 2010 - Afinidade...

Engana-se quem pensa que imagem é tudo...me perdoe os que assim acreditam, mas conteúdo é sempre o definidor de relações sólidas e duradouras...ultimamente a tal da exposição tem me tirado do sério...vender a imagem de uma perfeição nunca foi, e jamais será, do meu feitio...mas como quem ta na chuva é, e deve, se molhar; fico em alerta...em verdade, acredito no poder da exposição como ponte para unir dois extremos ainda desconhecidos...e se essa exposição for bem conduzida catalisa o processo; evita [pré]conceitos e desfaz tantos outros que possam existir a primeira vista...quando comecei a expor minha decisão de ir a Santiago vários foram os ‘inputs’ gerados...e a medida que ia formando a idéia em minha mente e consolidando as possibilidades as coisas iam acontecendo e se ajustando...o desejo imediato era estar em Santiago neste ano compostelano, a origem era fazer a caminhada de 40 dias, a consagração era ter a companhia de alguém especial...e assim de um desejo de origem antiga surgiu o convite tímido de chamar meu pai para me acompanhar...convite aceito e tudo então se transformou...e por falar em alguém especial, segue uma sugestão de texto igualmente especial, fruto de uma exposição sutil, delicada e penetrante sobre afinidades...


“A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido. Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial. Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade. Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.”
Autor(Artur da Távola)

Um comentário:

Carol Seabra disse...

"...Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar." Amiiiiga... nossa cara!!! Definitivamente... temos afinidade!!! Rsrsrs...
Bjoks grandes...