Não vou negar que a ‘demora’ em iniciar a série de postagens sobre a minha experiência no Caminho de Santiago de Compostela foi algo mais do que necessário, diria até proposital... os primeiros quinze dias após o retorno foram tão preciosos quanto os quinze dias no caminho... o reencontro com o cotidiano apresenta-se como algo ‘estranho’ a assimilar depois de uma experiência tão impar...e quando digo ‘estranho’ não refiro-me como algo negativo mas como uma realidade não ‘tão particular’ quanto era antes de iniciar a peregrinação... após o caminho percorrido saber onde foi o porto de partida é fácil, mas identificar o ponto de chegada exige um pouco mais de maturação...isso talvez só possa ser compreendido ao longo desses relatos ou quem sabe, somente por quem faz o caminho...
“Un camino empieza con un paso”... essa foi a primeira grande lição de minha vivência como peregrina a Santiago... Um caminho começa com um passo; uma frase que resume tanta coisa, uma frase que mereceria por si só uma tese...dela inclusive se pode metaforizar muitas situações em nossas vidas... a conquista é iniciada com pequenos feitos... a guerra é concretizada em pequenas batalhas... a riqueza se faz nas pequenas economias... a diferença está nos pequenos detalhes... a hora é composta de segundos...pode parecer fácil dizer isso mas fazer com certeza não é...romper a inércia e dar o primeiro passo requer decisão, coragem, disposição e preparo...quatro premissas muito pessoais para quem quer fazer o caminho que irão exigir de cada um esforços diferentes para um mesmo estágio; a certeza de estar preparado...
Em verdade seja qual for a realidade de cada um, seja qual for a intenção de cada um, seja qual for o tempo de cada um; o caminho está lá a espera para ser feito...e jamais um caminho será igual ao outro... cada caminho tem sua particularidade e ele começa com um passo no momento que se deixa a realidade um passo para trás... E foi assim que meu caminho começou...
"Mamãe, mamãe acorda... acorda mamãe"... acordei no dia 07 de outubro, ao som da doce voz de minha filha,dando boas vindas a um dia que muito prometia...abracei ela como se ja fosse um ritual dedespedida...no primeiro dia do Caminho, depois de uma noite inquieta de ansiedade e preocupação com os preparativos da viagem... já eram 8hs da manhã e estava atrasada para o salão; meu primeiro compromisso do dia...cortar os cabelos curtíssimos, me desprender da primeira coisa que não é essencial para o meu caminho: a vaidade...no decorrer do dia quanto mais se aproximava do horário de embarque, aumentava minha lista de afazeres e freneticamente eu me envolvia com o caminho a medida que me desprendia de cada item realizado do check list... durante o vôo, as 8h de viagem e o acréscimo de horas do fuso não foram suficientes para absorver toda a ruptura causada entre a realidade e o caminho...horas não são suficientes para absorver rupturas...a vivência de novas experiências são necessárias para absorver o novo...e essa ‘ruptura’ foi se apresentando, somente e paulatinamente, a medida que caminhava; a cada momento e acontecimento de cada passo dado enquanto a distancia a percorrer diminuía e a percorrida aumentava...
Um comentário:
Amiga linda... que bom te ver aki de novo... tava com saudades de seua ensinamentos...Bjooo grande!
Ti Calol e Ti Luce
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