sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Onde estava...

Enfim...o dia chegou...um mês exato da alta hospitalar...um mês em casa, um mês de repouso, um mês eu comigo...numa áurea insana estava apática...acordei, tomei meu ultimo banho com os cuidados de minha mãe, me preparei e fui ao retorno médico...no caminho, dentro do táxi, me passaram todos os dias em trailer...quanta coisa vivi até chegar aqui...me aproximava do consultório e espantosamente estava fora de mim...acho que tanta coisa passava pela minha cabeça, tantas emoções convergiam para aquele momento que meu corpo respondia assim...talvez pra não perder o controle, manter a serenidade...pela primeira vez não estava ansiosa...esperaria mais o tempo que fosse, não me sentia tão preparada assim...com pontualidade e simpatia Dra Mônica me recebeu, conversamos um pouco até que minha fobia interrompesse meu raciocínio e eu me calasse...acabou; os pontos se foram...e com cada um deles ia também a minha segurança de que as coisas estavam no meu controle...”quando você volta? por mim já pode voltar” disse ela...eu não sabia se voltava para dentro de mim ou se pensava que deveria voltar...a medida que ela escrevia o atestado médico com o protocolo a seguir, eu alternava meu olhar ao papel e ao horizonte através da janela...e quem disse que eu estou preparada para alta? minha cicatriz? minha condição física?minha nossa...eu não sabia se merecia aquele papel, não sabia se 'queria' aquele papel...segurei um choro enrustido, calada e atenta ao que ela falava...e minha cabeça ia a mil em todos os lugares por onde pudessem estar numa fração de segundos...comentamos que o resguardo em São Paulo realmente tinha sido a melhor opção...precisava ficar a margem da minha realidade para passar intensamente por tudo o que passei...ao receber o atestado me senti como uma recém formada recebendo um diploma e se perguntando; e agora? o que fazer...por mais que esteja com planos encaminhados é impossível negar a instabilidade do “e agora?”...tinha minha alta, podia fazer tudo o que meu corpo me permitisse desde que poupassem os exageros...mas não podia fazer o que queria...queria parar o tempo, queria tentar chegar naquele momento...me sentia totalmente distante dali...

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