segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

18 de Janeiro de 2010 - Perdão...

Eram cinco horas da manhã quando comecei a olhar insistentemente o celular na cabeceira da minha cama para ver que horas eram entre um cochilo e outro...inutilmente o celular estava programado para despertar na hora exata em que deveria me levantar, mas eu o vigiava a cada instante...acordei cedo para consulta com Dra Carina...ao contrario do que eu imaginava, apesar de para mim ter sido extremamente confortável e gratificante reencontrá-la depois de tanto tempo e depois de tudo, pra ela percebi que não foi da mesma forma...contei todo o desenrolar da história e desvendei o que viria a ser aquela região enrijecida...ela lamentou o ocorrido e trouxe pra si uma 'culpa' pela sensação de impotência, por não ter feito algo a mais assim que percebemos ‘aquilo’ aparecer...novembro de 2006...estava lá registrado em minha ficha; 'região enrijecida 3cm'...foi constrangedor percebê-la desconfortável com os olhos tensos com a revelação...mas o meu discurso não poderia ter sido outro senão a serenidade de que se ela tivesse insistido na investigação e eu tivesse feito a punção sugerida por ela na época há três anos atrás eu não sei o que teria sido de mim... com apenas 25 anos, recém casada, com uma sobrinha acabando um tratamento contra leucemia, cheia de planos...eu não teria me formado na segunda faculdade, não teria conseguido o emprego dos meus sonhos, não teria tido minha filha, não teria amadurecido meu casamento, não teria muita coisa...não acredito na precisão de um destino, muito menos na vulnerabilidade do acaso, mas num mundo oportuno e sábio que sempre conspira a favor de quem sabe onde quer chegar...aquele de fato não era o momento...ela ainda insistiu que se tivéssemos diagnosticado antes poderia ter sofrido uma lesão bem menor...até poderia ter tido uma lesão física menor, mas não psíquica...não reagiria com tanta coragem e serenidade...definitivamente não lamento o ocorrido...na verdade hoje me sinto de uma maneira tão leve que posso com propriedade afirmar sem hipocrisia que o câncer me fez muito bem...durante todo o dia nas diversas coisa que fiz, de todos os itens que dei baixa na lista, a todo momento me percebia mais madura, confiante e paciente...e o melhor; capaz de aprender e melhorar ainda mais, cada vez mais...ao final do dia reencontrei uma amiga de infância e passamos um tempão encostadas no carro no estacionamento de um supermercado conversando...depois voltando pra casa e pensando na reação de Dra Carina percebi o quanto perdemos quando não sabemos deixar para trás situações que nos fazem mal e nossa ínfima capacidade de perdoar...não falo de ceder perdão a quem pede...na verdade não acredito que perdão seja algo a se doar mas a se ter, dentro de nós...

‘Não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso...Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.’*

Nos enganamos quando pensamos que estamos fazendo bem a alguém que perdoamos...estamos fazendo bem a nós mesmos...tirar de dentro de si lamúrias, rancor e ressentimentos é para nós mais salutar e vital do que para qualquer outro...o ‘mal’ gerado por alguém vive dentro de nós até que saibamos nos desprender dele através do perdão...e perdoar a si próprio é a melhor forma de aceitar nossa fragilidade...encoraja para termos discernimento e humildade em aprender com nossos erros e os erros dos outros...basta para isso simplesmente se render ao nobre sentimento do perdão...


*frase de William Shakespeare

2 comentários:

Unknown disse...

Belissimo post...
Beijo

Carol Seabra disse...

Ai ai amiga... vc tava mais q inspirada!!!
Lindo, lindo, lindo!!!
Bjocas