Carpe Diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre... A vida não pode ser economizada para amanhã...
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
20 de Janeiro de 2010 - Força 'G'...
O corpo parecia que pesava uma tonelada...não tinha nada que me fizesse levantar da cama...a sensação era de que a gravidade do mundo todo estava no meu umbigo, uma força enorme me puxava para baixo e meus olhos não cogitavam abrir...preguiça?não; cansaço psíquico talvez...cancelei toda a intenção programada pela manhã quando o marido já pronto pra sair me deu ‘bom dia’ perguntando; você vai me deixar? Fiquei deitada por um bom tempo, apesar de não estar dormindo...permaneci naquele estado de morbidez até que fosse necessário...sabe aqueles dias em que deveríamos ter o direito de não fazer nada...de ficarmos alienados do mundo dentro de nos mesmos...devíamos ter esse direito quando sentimos essa necessidade; hoje eu estava assim...mas passado um tempo levantei com uma vontade louca de caminhar...e unir o útil ao agradável; fui devolver no laboratório que emitiu o primeiro laudo, as lâminas e os blocos de parafina do tumor que levei a Sampa para refazer a biópsia...na volta vim passeando pelo calor intenso que toma conta da cidade...acho que sair no sol de 11hs não foi uma idéia tão boa assim, mas pelo menos movimentei e com muito suor dei boas vindas ao dia...pela minha disposição física o dia não prometia tanto...apesar de reuniões canceladas, não por mim por mais que tenha adorado, risquei mais um bocado de itens da minha lista e procurei curtir a filhota...passeamos no final de tarde pelas ruas do bairro, passei na obra em que gerenciava, revi alguns funcionários com os quais trabalhei e fui visitar minha mãe...desde que adoeci ficamos muito tempo juntas e ela de uma dedicação incondicional e intensa tem me feito falta esses dias...nunca nos falamos muito antes do câncer mas depois dele preciso diariamente vê-la e se não possível ao menos ouvi-la...esse foi sem duvida mais um saldo positivo da doença...ela me aproximou de minha mãe de uma maneira impar que em 28 anos não havia sentido tal necessidade...até pouco tempo me confortava apenas com o fato de saber que ela estava bem, tocando sua vida entre Campo Grande - Natal - Salvador - São Paulo...ter noticias eventualmente uma vez por semana...mas agora me sinto mais dependente de um relacionamento mãe e filha...mais propensa a relações intensas e contatos freqüentes...ao final do dia a gravidade tomou o seu lugar e eu me prometi ser mais pro ativa amanhã...
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Um comentário:
Eu entendo bem essa dependência mãe-filha. Sou altamente apegada à minha mãe e preciso muito dela! Este sentimento aumentou quando saí de casa. Casar me fez ficar mais próxima dos meus pais. Bjos, mile!
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